Ouro em alta, alerta ligado: Por que nossas alianças viraram alvo dos bandidos?
- Viviane Taguchi
- 21 de abr.
- 3 min de leitura

Se você costuma circular pelas ruas do Real Parque ou faz parte dos grupos de vizinhos no WhatsApp, certamente já percebeu: o roubo de alianças tornou-se uma das modalidades criminosas mais comuns na cidade de São Paulo nos últimos meses. Ao lado de celulares, os objetos de ouro entraram para a mira dos bandidos.
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as alianças e os celulares são os dois objetos mais desejados pelo crime em 2025 e 2026. Apesar dos números gerais de ocorrências terem caído em 2026 na cidade, os roubos desses dois itens continuam elevados.
Na capital paulista, um celular é roubado a cada 10 minutos: são 143 boletins de ocorrência registrados por dia na cidade, ou seja, mais de 50 mil unidades por ano. As alianças, desde o ano passado, também chamam a atenção. Em 2025, a SSP registrou 6.781 roubos (casos registrados). Nos primeiros quatro meses de 2026, foram 2.040 roubos de alianças registrados.
As alianças de ouro entraram para a mira dos bandidos porque as cotações dispararam no mercado internacional. Isso acontece porque o ouro é considerado uma commodity, então seu preço tem a mesma variação em todo o planeta.
Alianças na mira dos bandidos
A alta atual do ouro começou em meados de 2024, quando o preço era, em média US$ 2.060. O grande salto, porém, ocorreu em 2025, com uma valorização superior a 65% e quebrando recordes sucessivos. Em 2026, o ouro continuou a subir e uma aliança de 5 gramas, por exemplo, pode valer mais de R$ 5 mil.
A alta do ouro é um reflexo dos acontecimentos geopolíticos, como os conflitos comerciais entre os Estados Unidos e China, as operações militares norte-americanas realizadas na Venezuela e, mais recentemente, os conflitos no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Israel e Irã. Nessas situações, o mercado valoriza o ouro porque o metal passa a ser um ‘porto mais seguro’ que o dólar.
O metal é considerado um investimento ‘seguro supremo’ por todas as economias mundiais e os países mais fortes economicamente, passaram a estocar ouro como forma de garantir os seus investimentos, ou seja, o ouro passou a ser considerado o investimento mais seguro do mundo diante das movimentações geopolíticas (e não importa onde os conflitos ocorram).
No mercado internacional, a cotação é baseada na onça-troy, uma medida padronizada para pesar e precificar metais como o ouro, prata e platina. Diferente da onça comum usada no dia-a-dia, a onça-troy equivale a 31,1034768 gramas. Já a onça comum corresponde a 28,3495 gramas. No mercado ilegal da bandidagem, porém, o ouro é comercializado em gramas.
Nesta terça-feira, 21 de abril, um grama de ouro no Brasil (como o metal é comercializado no mercado paralelo) é cotado em torno de R$ 790. Uma aliança simples pesa, em média, 5 gramas. Já uma aliança mais robusta, pode chegar a R$ 10 mil.
Alianças não são rastreáveis
Enquanto o ouro está valorizado, os bandidos aproveitam. Ao contrário de um celular, que pode ser bloqueado ou localizado, as alianças são derretidas em minutos e, uma vez transformada em barra bruta, ninguém sabe se aquele ouro veio de uma joia de família ou de uma mina de ouro, por exemplo. Além disso, o ouro é um ‘dinheiro vivo’. Existem receptadores e compram o metal por peso, sem fazer perguntas e pagam na hora.
Outra facilidade para os bandidos é a vulnerabilidade: as nossas mãos estão sempre expostas, seja no volante do carro parado no semáforo ou na entrada da garagem ou em um simples passeio com seu pet. O roubo de aliança dura, em média, em São Paulo, menos de 10 segundos.
Como evitar o roubo de alianças
Devido à demanda da criminalidade pelos objetos de ouro, os cidadãos paulistanos estão lançando mão de alguns truques: um deles é trocar a aliança de ouro por anéis de outros materiais – eles simbolizam o compromisso sem oferecer valor financeiro ao ladrão.
Os especialistas em segurança ainda reforçam que é preciso ter atenção redobrada nos semáforos, entradas de residências e condomínios!
- Evite manter as mãos no topo do volante em paradas prolongadas. Mantenha as mãos mais baixas, fora da linha de visão de quem passa entre os carros. O mesmo vale para os celulares no carro.
Reserve joias de valor mais alto para eventos em locais fechados e mais seguros. Ao sair de casa, a discrição é a nossa maior aliada nos dias de hoje!



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